Domingo, 01 Janeiro 2017 16:47

Lembranças, realidade e eternidade

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Lembranças, realidades e eternidade.

Há exato um ano atrás estávamos no sul do Chile ao pé das Cordilheiras dos Andes, no Camping no me olvides, com o casal argentino motorhomeiros Daniel e Olga. Celebramos com a ceia de final de ano, a nossa frente um grande lago que é alimentado pelas águas geladas que descem dos picos nevados da monumental cadeias de montanhas que cortam longitudinalmente a América do Sul. Céu estrelado testemunhando a alegria de quem estava vivendo a grande aventura de viajar por dois anos. O sorriso era fácil, os planos esperançosos, a vontade de continuar explorando a América, juvenil! Mas o tempo ou a vida prega peças nos planos. 

Enquanto escrevo este artigo, estou no quarto do meu pai, ao lado da sua cama, o que vejo não é o homem do ano passado. São passados dez meses das três letras que derrubaram os sonhos e ambições do meu Velho, o fatal e cruel AVC.

O meu sorriso não é mais fácil, a esperança inibida, a vontade fragilizada, por causa do que vejo ao meu lado, corpo decrépito, mente desconectada com a realidade, ausência de tudo o que foi, sonho interrompido em vida e o corpo teimando em continuar a sua saga de existir. O que existe é apenas o sofrimento do corpo na ânsia de existir. O tempo  e a vida não são mais os mesmos! O tempo o alcançou e está sendo implacável com o meu velho Pai. Diz o sábio que “aqueles pela sua robustez chega aos setenta anos, que o espera é cansaço e enfado do peso dos anos”.

Enquanto os fogos de réveillon explodem saudando 2017, com a expectativa de ano venturoso, próspero, com realizações que só a intimidade do coração revelam na escondida esperança.  Meu Velho, indiferente aos acontecimentos de esperanças outrora vivida e que povoavam também suas expectativas do ano novo. Agora, já não existem, apenas reminiscência do passado, como se atuais fossem.

A vida deveria continuar sendo boa, assim como nossos desejos do ano que começa, contudo, a vida como os anos conspiram para construir os sonhos ou destruir os desejos que escondem na impenetrável alma humana. Na cama ao lado, meu pai, que a alma ainda nutre expectativa que só sua mente confusa não consegue expressar, mas, o Criador da vida, revela que “Ele colocou a eternidade no coração do homem, sem que ele, o homem, possa descobrir o que Ele fez desde do princípio até o fim”. Por isso meu Velho ainda insiste com a vida, não sabendo ele que seus sonhos serão eternos, na eternidade em companhia do Criador, Deus!

Sonhamos com coisas a realizar, engano do coração! O verdadeiro sonho é a eternidade que o espírito aspira, pois, é voltar as mãos Daquele que o criou.   

Feliz vida e ano de 2017, enquanto a eternidade não nos for revelada.

Tempo de chorar.

Cuiabá, MT.       

Lido 3372 vezes Última modificação em Domingo, 01 Janeiro 2017 17:57

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