Segunda, 14 Dezembro 2015 16:35

Nosso tempo no "Casulo móvel"

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Nosso tempo no “Casulo”.

Casulo é o nosso motorhome, dentro dele o tempo e espaço são percepções.

Já se passaram dezenove meses que saímos de casa e o tempo parece que não passou. Todavia, quando mergulhamos nas lembranças descobrimos quanto tempo já passou. Tempo é apenas percepções que a vida captura ou não.

Saímos de casa que tem o espaço e conforto que a dignidade da média das pessoas deveriam ter, com todas as facilidades que a vida moderna oferece. Contudo, estamos experimentando a restrição de espaço, numa área de oito metros quadrados. 

Pequeno, sim, mas não limitado. Temos quase todo o conforto que tinhamos, água quente, geladeira, forno a gás, microondas, ar condicionado Spliter, televisão, cozinha, banheiro, cama de casal, aquecedor a diesel e o maior quintal e vizinhança que nunca tivemos, o mundo exterior ao alcance. Então, o espaço é outra percepção de quem ocupa e usa. 

Reduzimos o espaço, tendo as mesmas coisas que outrora necessitávamos muito do espaço, entretanto, temos conforto com muito menos espaço. Tempo e espaço está dentro de nós, nas nossas percepções. 

Quando saímos para a nossa viagem, cambiamos nossas prioridades, agora o tempo era para ter espaço na alma para viver, conhecer, aprender, sentir, ver, ouvir com o tempo. O caminho um detalhe que seria percorrido com o tempo. O detalhe são lugares que iríamos conquistando no espaço que o tempo irá nos levar. Decretamos abolição da rotina, liberdade!

O tempo é implacável, leva-nos parados ou movimentando, ociosos ou produzindo, sadios ou doentes, tristes ou felizes.  Independe das circunstâncias o tempo é uma percepção do momento.

O momento nosso é viver intensamente, conhecendo o agora! Sabemos que estamos vivendo um momento único, que apenas o tempo testemunhará se valeu a pena. 

A vida é volátil - “como um vapor d’agua que logo dissipa” - diz as Escrituras. O escritor Mário Quintana no poema O Tempo, diz que as horas -“casca dourada e inútil” - são fragmentos do tempo.

O poema é de simplicidade juvenil, clareza cartesiana e sabedoria que só a maturidade revela, muito inspirador para quem a alma anseia se libertar das algemas do tempo:   

“A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são seis horas!

Quando de vê, já é sexta-feira!

Quando se vê, já é natal...

Quando se vê, já terminou o ano...

Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.

Quando se vê passaram 50 anos!

Agora é tarde demais para ser reprovado...

Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.

Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...

Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...

E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.

Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.

A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará”.

O tempo nos amansa, molda, coloca arreios e escraviza. A vida com a maturidade nos ensina a ser gente, e a melhor maneira para aprender a ser gente é viajando. A vida como a viagem é uma busca que nunca termina, pois são eternos. A vida é eterna , pois o Espirito não envelhece, é o “sopro” do Criador, que no final volta a Ele que o deu. E a viagem também é eterna, existirá sempre lugares ainda não viajado. Assim, não tem tempo que nos amansa e escraviza, pois, aprendemos viajando que a vida é bela quando a vivemos, aprendendo a ser gente e gostar de gente.

Dezembro/2015.

Casa de Campo El Paye, Argentina.

 
Lido 4615 vezes Última modificação em Sexta, 18 Dezembro 2015 10:50

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